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A contribuição científica e estética que os registros fotográficos trazem em seus conteúdos para a fixação da memória é ainda pouco valorizada. Estudiosos de história, comunicação e diferentes campos das ciências humanas tem, em número crescente, se interessado pela imagem, em especial a fotográfica, como fonte e instrumento de pesquisas e reflexão.

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Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Imagem e Memória, coord. Dr. Boris Kossoy

 


 

NÚCLEO: NEIIM - NÚCLEO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES SOBRE IMAGEM E MEMÓRIA
COORDENADOR: Prof. Dr. Boris Kossoy

Pesquisadores:
André Luís de Lima
Andrea Eichenberger
Anuschka Reichmann Lemos
Boris Kossoy
Cássia Xavier
Claudia Beatriz Heynemann
Cláudia Porcellis Aristimunha
Claudio Brandão
Daniela Palma
Giselle de Queiroz Rocha
Lillian A. S. Souza
Luciana Cavalcanti Mendes
Luzia Renata da Silva
Maria Luisa Hoffmann
Marli Marcondes
Rodrigo Archangelo
Rosa Cláudia Cerqueira Pereira
Sonia Umburanas Balady
Tânia Cristina Registro
Telma Campanha de Carvalho Madio

 

O NEIIM conta com cinco linhas de pesquisa internas:

HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA

Ementa: A linha de pesquisa em História da Fotografia tem como objeto de investigação a própria fotografia, dentro de seu contexto de produção, ou seja, segundo as condições sociais, políticas e econômicas em que foi gerada a representação.
A linha pressupõe o estudo do meio fotográfico levando-se em consideração três diferentes aspectos. O primeiro refere-se à constituição física do objeto fotográfico, que resulta de uma combinação de diferentes materiais, técnicas e procedimentos específicos que lhe servem de substrato, assim como a forma em que foram apresentados e os meios pelos quais circularam desenvolvidos e consumidos ao longo do tempo. São as características que indicam a tecnologia das diferentes épocas.
O segundo, refere-se ao conteúdo visual da fotografia, são os fragmentos da realidade congelados em um determinado espaço e tempo: os temas registrados. Esses conteúdos trazem informações essenciais para a pesquisa científica, preponderantemente na área das ciências humanas, mas também em outras áreas do conhecimento.
Por fim, a elaboração da imagem fotográfica a presença do indivíduo, o fotógrafo, que, como agente condutor desse processo, exerce um papel fundamental ao imprimir em sua produção, além de seu conhecimento técnico, também o seu repertório artístico, cultural, social e político. Por isso, torna-se essencial o estudo de suas práticas e sua inserção na sociedade.
Além dos aspectos apontados "é de decisiva importância", nas palavras de Boris Kossoy, a reflexão acerca dos usos e aplicações das imagens ao longo da história.

 

PATRIMÔNIO VISUAL

Ementa: A linha de pesquisa a que se refere o patrimônio visual exige, tal como em qualquer discussão acerca do conceito de patrimônio, que se tenha em perspectiva a sua história, o sentido que adquire como construção, em diferentes instâncias, da arte, da ciência, como privilégio ou direito, identidade, fragmentado, documento, memória, instrumento de controle, opressão, atribuição de valor, produção de sentido, em suas dimensões simbólicas e materiais. A extrema atenção ao tempo pretérito e aos objetos da "memória" tal como ela se difunde faz também das instituições típicas dessa trajetória – arquivos, museus e bibliotecas – o alvo desse interesse e crença na sua capacidade de preservar e ainda mais, reconstituir, o passado, tal como ele teria sido.
Nesse sentido, o patrimônio visual, aqui especificamente referido aos acervos fotográficos também se configuram a partir dos pressupostos dos organismos de guarda, públicos ou privados, validados, organizados e difundidos sob suas estruturas, o que em si merece a reflexão acerca das características dessas fotografias; a autonomia das imagens, seu lugar entre arte e documento, uma origem mesma: o retrato de estúdio, o registro policial, álbuns de paisagens, fotojornalismo entre outros, aos quais se emprestou outro estatuto, face a deslocamentos posteriores. Em fundos, coleções, dispersas em meio a documentos textuais, identificadas como acervos fotográficos, a imagem fotográfica deve ainda ser pensada na sua trajetória analógica, como reprodução digital, ou puramente virtual. A presença dos suportes e mídias existentes repercute sobre as noções de realidade, representação, história, esquecimento, verdade, etc, incidindo sobre os acervos, levando-nos outra vez ao valor atribuído a esses conjuntos. O conhecimento que possuímos sobre tais acervos, a comunicação estabelecida entre eles, a articulação imediata entre imagens de diferentes instituições e a circulação delas em sites, resulta em mais uma interferência no modo como se pode ler um tipo de bem cultural que desde o início busca ter como vantagem técnica a obtenção ilimitada de cópias.
Essa linha de pesquisa dialoga com as demais propostas do Núcleo e tem como objetivo essencial analisar a imagem fotográfica e a obra de fotógrafos e estúdios em sua relação e conflito com os acervos e instituições responsáveis por sua conservação. As definições em torno do patrimônio visual são parte dos problemas a serem enfrentados, bem como os limites da categoria de acervo, seus parâmetros e as esferas a que se refere. Estudos teóricos sobre essas e outras questões conexas, análise de coleções, articulação entre diferentes conjuntos, projetos de curadoria, são possibilidades de pesquisa dessa linha.

 

POÉTICAS

Ementa: A poesia pode ser considerada o uso mais estremado da linguagem, ou, como diz Bachelard, é a linguagem em "estado de emergência". Da própria matéria das linguagens, a poesia consegue explodir para além de suas fronteiras.
Imaginação, imaginário; a criação poética liga-se à formação de imagens. Refletir sobre a relação ontológica entre imagem e poesia é a proposta geral desta linha de pesquisa. A criação poética é entendida não como característica exclusiva de um campo artístico da produção de imagens, mas é tomada como qualidade antropológica da própria produção cultural de imagens. Consegue ser particular e universal, ao mesmo tempo. Assim, o trabalho crítico aqui é pensado de maneira estendida, não se reduzindo a análises descritivas que tomam as imagens como meros arranjos sígnicos, organizados linearmente em estilos e escolas. A dimensão poética da imagem é universo não apenas de formas, volumes e cores, mas também de vestígios diáfanos e do trabalho da memória, ou seja, é fusão entre tempo e espaço, entre o diacrônico e o sincrônico. A superfície imagética é entendida como espaço da indistinção entre discursos e realidades e de sentidos que estão sempre em transformação.
É a partir desta noção amplificada que se propõe estimular a formação de pensamentos e crítica sobre as poéticas visuais que permitam incursões de ordem filosófica, psicanalítica, antropológica, histórica.
Questões usuais da crítica artística não ficam aqui excluídas, apenas incentivam-se posturas mais abrangentes. Assim, por exemplo, os estudos de autoria e estilo ganham mais vitalidade se considerado o próprio caráter movediço da criação individual e coletiva.

 

TEORIA E METODOLOGIA

Ementa em elaboração.

 

USOS E APLICAÇÕES

Ementa: A definição de usos e aplicações de imagens pode gerar uma conceituação bastante ampla que abarcaria toda e qualquer discussão sobre produção, circulação e recepção de documentos visuais nos variados contextos da vida social.
Mesmo diante do possível paradoxo de definir uma linha de recorte de pesquisa que pode, ao mesmo tempo, nomear a totalidade, aceita-se aqui o desafio da complexidade, pontuando, então, não conceitos fechados, mas sinalizadores de possíveis caminhos conceituais para pensar o desenvolvimento de pesquisas dentro desta linha.
O principal destes sinalizadores liga-se ao uso mais recorrente da palavra aplicação dentro das ciências humanas: a ênfase na vinculação a contextos e dinâmicas institucionais. A linha apresenta, assim, o interesse em contribuir na formação de um pensamento sobre a produção e circulação imagética em contextos institucionais, ou ainda, na realização de estudos que pensam a sociedade e suas instituições por meio de imagens.
Estas propostas apontam para uma variada tipologia de imagens – científicas, jornalísticas, publicitárias, de moda, turísticas, policiais/forenses, de identificação civil, documentação industrial, urbana e arquitetônica, entre tantos outros gêneros. São, assim, imagens pensadas dentro de contextos políticos (estatais, partidários e movimentos sociais), empresariais, comunicacionais-midiáticos, educacionais-científicos, comunitários e do mundo do trabalho. Engloba, ainda, estudos sobre registros visuais ligados a questões identitárias e às esferas dos costumes, como fotografias e filmes familiares, de eventos, ritos de passagem, turismo e demais práticas de sociabilidade; destacando aqui temas contemporâneos ligados a comportamento, como a farta produção de imagens de cunho íntimo-privado para compartilhamento público em meios digitais.
Ressalta-se ainda que a proposta de pensar a cultura visual no contexto das instituições abarca o estudo não apenas de imagens que chancelam relações de poder e práticas sociais instituídas, mas também de todo o corpo imagético que atua questionando e propondo rupturas aos próprios funcionamentos institucionais. São, por exemplo, de particular interesse aqui reflexões sobre o papel das imagens em processos de conscientização e sensibilização social para as questões ligadas aos Direitos Humanos.
Como nas outras linhas do núcleo, a proposta do recorte usos e aplicações estabelece ligações muito próximas às demais, assim, projetos que atravessem mais de uma linha são, não apenas possíveis, como também, esperados.

 

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